Redução do Desperdício Alimentar

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Redução do Desperdício Alimentar

 

Nos países desenvolvidos, o fluxo de resíduos alimentares representa uma fração considerável dos resíduos urbanos produzidos, com repercussões consideráveis na perspetiva de um desenvolvimento sustentável no eixo social, económico e ambiental. Devido à quantidade e tipologia destes resíduos, que implica na necessidade de aplicação de tecnologias de tratamento específicas (nomeadamente processos biológicos de compostagem e/ou digestão anaeróbia), as orientações, ao nível da União Europeia, assentam na criação de estratégias de prevenção da produção deste fluxo de resíduos. Efetivamente, de acordo com o Parlamento Europeu (PE), “o desperdício alimentar assumiu uma dimensão tal que está a ser considerado um problema à escala mundial que se reflete ao longo de todos os elos da cadeia agroalimentar, do campo até à mesa dos consumidores”.

Assim, tendo em conta que, “na Europa uma quantidade cada vez maior de alimentos saudáveis e em condições comestíveis – de acordo com algumas estimativas até 50% – é perdida ao longo de todos os elos da cadeia agroalimentar tornando-se desperdícios” e  que “segundo os dados alarmantes divulgados pela FAO, existem atualmente 925 milhões de pessoas no mundo em risco de subnutrição, e que estes dados afastam cada vez mais a realização dos objetivos do milénio que preveem reduzir para metade a pobreza e a fome até 2015”, o PE convidou já  “a Comissão a apresentar uma proposta legislativa que defina o "desperdício alimentar", e solicita que sejam também incluídos nas normas atuais relativas à definição de resíduos os  resíduos alimentares de origem agrícola”.
 
A nível nacional, e de acordo com o preconizado no Programa de Prevenção de Resíduos Urbanos, as ações de prevenção de RU, no que diz respeito à fração Matéria orgânica deverão assentar na promoção das compostagem individual (zonas mistas, rurais) e coletiva (escolas, espaços verdes), na utilização eficaz dos alimentos adquiridos, conceito de “dose certa”, e apoio a bancos alimentares  e ainda no estímulo ao consumo responsável.
Concretamente, no que diz respeito ao desperdício alimentar, a implementação de medidas nesse sentido requer a realização de campanhas de comunicação/educação pontuais , repetidas de forma periódica com vista à consolidação de práticas.
É necessário esclarecer questões como “Que parte dos resíduos alimentares produzidos são inevitáveis?”, “Que tipos de alimentos se estão a desperdiçar?”, “Porque se deitam alimentos fora?” ou “O que sabemos sobre o tipo de consumidores que produzem estes resíduos?”.
Nesse sentido, a APA disponibiliza alguns materiais para sensibilização/divulgação no âmbito da redução do desperdício alimentar e apresenta os resultados obtidos na ação “Operação Cantina – Desperdício Zero”, realizada nas suas instalações, no âmbito da Semana Europeia de Resíduos 2011, a título exemplificativo do potencial destas ações.
 
Seguidamente, enumeram-se algumas ações concretas para Prevenir a Produção de Resíduos que pode colocar em prática no dia a dia, aquando da preparação das suas refeições:
  1. Escolha cozinhar alimentos frescos: poderá assim comer mais saudavelmente e ainda economizar mais do que numa refeição pronta e pré-embalada e também produzir menos quantidades de resíduos de embalagens.
  2. Não se esqueça de usar em primeiro lugar os produtos com a data limite de consumo mais próxima para evitar desperdícios; tenha mais cuidado com os produtos perecíveis, por exemplo, pôr os produtos que devem ser usados mais rapidamente à frente, no frigorífico ou no armário, é uma forma simples de controlar adequadamente o seu consumo e, evitando o desperdício, reduzir a produção de resíduos.
  3. Sempre que possível beba água da rede pública de distribuição (é segura e mais barata) - Encha uma caneca com água da torneira! Economizará na compra de embalagens de garrafas de água e limitará a quantidade de recursos utilizados e resíduos produzidos!
  4. Quando fizer um piquenique, leve preferencialmente embalagens herméticas para produtos alimentares, garrafas reutilizáveis e os utensílios de todos os dias; desta forma, depositará menos resíduos no contentor de “lixo” mais próximo; e aqueles que produzir, leve-os de volta para casa para os separar com destino aos ecopontos.
  5. Para o lanche, coloque os alimentos numa «caixa» reutilizável/lancheira e a bebida num cantil em vez de um saco ou de um pacote/lata individual que deitará fora.
  6. Ajuste os tamanhos das porções de alimentos servidos, consoante as necessidades nutricionais e apetite de cada um (pode ajustar as porções com base nos restos deixados no prato ou pela quantidade de comida confecionada que sobrou).
  7. Aproveite os alimentos cozinhados em excesso para confecionar outros pratos, quando possível, ou congele o restante para outra ocasião (em embalagem hermeticamente fechada e datada).  
  8. Os óleos alimentares usados devem ser valorizados: procure reduzir a quantidade de óleos e gorduras utilizados na confeção dos alimentos e nunca os deite fora para a canalização! Coloque-os numa garrafa usada e depois num oleão. Procure também prolongar a vida dos óleos alimentares que usa na cozinha, escolhendo óleos de qualidade (que resistem melhor às altas temperaturas e queimam menos - pense também na sua saúde), filtrando o óleo após cada utilização para retirar as partículas/sedimentos resultantes da fritura, e fritando alimentos diferentes em óleos diferentes, para não misturar os sabores porque diferentes alimentos têm necessidades de diferentes graus de fritura/confeção.
Poderá aceder a alguns conteúdos de divulgação/sensibilização em “Anexos” de forma a participar ativamente na Prevenção e Redução do Desperdício Alimentar. Disponibilizam-se ainda alguns links para conteúdos externos e que se referem à temática aqui abordada. 
Poderá ainda consultar no Nosso Centro de Documentação o livro “Gestão Ambiental no Sector Hoteleiro”, de Susana Lima.