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Microplásticos

Tem vasta aceitação entre a comunidade científica a definição de MACRO LIXO como o lixo de dimensão superior a 25 mm, sendo o termo MICRO LIXO baseado na definição de microplástico, como partículas de plástico com dimensão inferior a 5 mm. A gama de dimensões variáveis entre 5 mm e 25 mm são designadas como MESO LIXO.

Nas últimas décadas a poluição marinha por plásticos tem vindo a ser uma ameaça crescente para a vida marinha.

A produção mundial de plásticos tem vindo a aumentar desde 1950 e em 2019 foram produzidas cerca de 370 milhões de toneladas a nível mundial e na Europa cerca de 58 M de toneladas (PlasticsEurope, 2020). Os plásticos agregam mais de 20 famílias de polímeros entre as quais polietileno (PE), polipropileno (PP), policloreto de vinilo (PVC), poliuretano (PUR), poliestireno (PS) e poliamida (PA) que representam cerca de 90% do total da produção mundial. Para além do polímero principal, os plásticos contém uma série de aditivos para melhorar as especificações do produto tais como: ductilidade, dureza, durabilidade ou resistência ao clima. Em relação a alguns destes aditivos especialmente certos plastificantes, existe forte suspeita de que sejam desreguladores endócrinos para animais e para os seres humanos. Todos os anos, uma parte muito significativa dos plásticos da indústria e dos consumidores são libertados no ambiente, estimando-se que cerca de 10% dos plásticos produzidos terminem nos oceanos e mares.

Em menos de um século de existência os resíduos de plástico já representam cerca de 60 a 90% do lixo marinho dependendo da localização. Uma vez no ambiente, macro detritos sofrem degradação mecânica (erosão, abrasão), química (foto-oxidação, temperatura, corrosão) e biológica (degradação por micro organismos). A fragmentação do plástico é considerado ser um processo infinito e que pode continuar até ao nível molecular podendo levar à formação contínua de microplásticos e até nano partículas de plástico (partículas com dimensão inferior a 1 µm), no ambiente.

A composição de micro e macro plástico difere devido a diferenças de eficiência da degradação e origens dos vários polímeros. Amostras de lixo flutuante (lixo à superfície dos oceanos) são maioritariamente constituídas por polipropileno, polietileno e esferovite (poliestireno expandido), policloreto de vinilo (PVC) e poliéster (PET), (Andrady, 2015). 

A presença de plásticos e microplásticos no ambiente aquático é um assunto de preocupação. Há uma evidência crescente de que os organismos marinhos em todos os níveis da cadeia alimentar ingerem partículas de plástico que desta forma entram na cadeia alimentar. A prevenção na origem é um aspeto crucial para enfrentar o desafio da poluição por microplástico.

Os microplásticos (MP) podem ter origem em 2 fontes:

  • MPs primários (via direta), em que se incluem os abrasivos industriais para limpeza de navios e aeronaves e os usados nas limpezas domésticas, produtos de higiene pessoal (esfoliantes corporais, pasta dentífrica, creme de barbear, gel de limpeza), cosméticos e matéria-prima da indústria dos plásticos, “pellets” (pastilhas de resina), pó de resina virgem ou reciclada;
  • MPs secundários (via indireta), fragmentos de plástico, que resultam da degradação física, química e biológica de detritos de plástico de maiores dimensões.

É também do conhecimento geral que as fontes mais prováveis para geração de pequenos fragmentos de plásticos no oceano são as praias porque os resíduos plásticos deixados nas praias rapidamente sofrem degradação por foto-oxidação graças à exposição à radiação ultravioleta do sol e ao calor da areia (Andrady, 2011).