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Plásticos de uso único e lixo marinho

Foi publicada em 5 de junho de 2019 a Diretiva (UE) 2019/904 do Parlamento Europeu e do Conselho - relativa à redução do impacto de determinados produtos de plástico no ambiente.

Na União Europeia, mais de 85% do lixo marinho é constituído por plástico de acordo com os resultados das avaliações realizadas por meio de contagens nas praias, sendo que os artigos de plástico de utilização única (PUU) representam 50 % e os artigos relacionados com a pesca representam 27 % do total. Os produtos de plástico de utilização única incluem um leque variado de produtos de consumo corrente em rápida evolução, que são descartados após terem sido usados uma única vez para os fins a que se destinam, são raramente reciclados e tendem a tornar-se lixo. Uma percentagem significativa das artes de pesca colocadas no mercado não é recolhida para fins de tratamento. Os produtos de plástico de utilização única e as artes de pesca que contêm plástico representam, portanto, um problema particularmente grave no âmbito do lixo marinho, acarretam um sério risco para os ecossistemas marinhos, a biodiversidade e a saúde humana, e causam prejuízos a atividades como o turismo, as pescas e o transporte marítimo.

Os itens de utilização única incluem muitos dos itens descartáveis familiares que são encontrados como lixo comum em áreas urbanas e rurais, ou seja, latas de bebidas, garrafas de vidro, garrafas e tampas de plástico, pontas de cigarro, jornais e afins. Muitos desses mesmos itens são transportados para o mar pelos rios, mas os produtos sanitários de uso único como cotonetes e produtos de higiene de águas residuais e sistemas de esgoto tornaram-se um problema também, principalmente após tempestades. Outros itens, como sacos plásticos, película aderente, plásticos usados na agricultura e fragmentos de corda e cordel são apanhados pelo vento e levados para o mar. Uma característica de muitos dos itens de utilização única é que são leves e flutuam facilmente, pelo menos no início, e podem ser transportados para o mar.

O plástico, em particular, é leve, durável e resistente à decomposição natural, mas pode sofrer degradação por ação dos raios UV sendo reduzido a pedaços cada vez menores, tornando-se eventualmente em microplásticos semelhantes aos grânulos muito pequenos de cosméticos, desodorizantes e exfoliantes libertados em sistemas de águas residuais. Essas partículas de plástico podem sobreviver por longos períodos de tempo, acumulando-se nas praias, no fundo do mar ou na coluna de água. Por exemplo, foi estimado que garrafas de plástico ou fragmentos de garrafas poderiam sobreviver por 450 anos no oceano [Thompson, et al., Science, 2004]. O pequeno tamanho e cor de muitos resíduos de plástico também o tornam potencialmente atraente para a fauna, que podem confundi-los com comida.